Fonte: ABRACOPEL
Autor: Sergio Roberto dos Santos
Data: 2010-06-01
Para se especificar corretamente um Dispositivo de
Proteção contra Surtos (DPS), devemos utilizar o conceito de Zonas de Proteção
contra Raios (ZPR).
ZPRs são espaços eletromagneticamente bem definidos, que
permitem graduar os valores de indução causados por descargas atmosféricas
entre cada um destes ambientes, possibilitando assim estabelecer uma redução
das tensões e correntes induzidas entre cada uma destas zonas.
O valor do campo eletromagnético se reduz ao passarmos de
uma ZPR para outra de índice superior, porque na fronteira entre as ZPRs
existem estruturas metálicas interligadas e aterradas que criam uma blindagem,
natural ou proposital, entre estes ambientes. Um equipamento esta cada vez mais
protegido, quanto mais “internamente” ele se encontrar dentro das respectivas
ZPRs.
Existem basicamente 5 ZPRs: ZPR0A, ZPR0B , ZPR1, ZPR2e ZPR3. Partindo de fora para dentro em uma
edificação, a intensidade da indução da corrente de raio, em um condutor, é
máxima nas ZPR0A e ZPR0B, se reduz na ZPR1, é mínima na ZPR2 e desprezível na
ZPR3, para um valor determinado da corrente de uma descarga atmosférica. O que
diferencia as ZPR 0A e 0B é que na primeira um objeto ou pessoa pode ser
atingido por uma descarga atmosférica direta, enquanto na segunda esta
possibilidade é remota, pois esta zona esta dentro da região de proteção de um
SPDA.
O que define a fronteira entre as ZPRs é a própria
estrutura que constrói o ambiente, sejam as ferragens das paredes externas de
uma edificação, ou as internas de um apartamento ou sala, até chegar à caixa
metálica de um painel. Desde que interligadas e aterradas, as ferragens de um
prédio, por exemplo, constituem uma blindagem metálica que define o que
chamamos fronteiras entre zonas (ZPR).
Os DPS são utilizados justamente na transição de uma ZPR
para outra, de modo a impedir que uma corrente seja conduzida entre dois
ambientes, já que a própria blindagem entre as ZPRs limita as tensões e
correntes induzidas.
A partir da proteção criada pela aplicação das ZPRs, resta
então voltarmos para utilização dos DPS, para impedir que correntes elevadas,
criadas por descargas atmosféricas, atinjam nossos equipamentos através de
condutores que passem de uma ZPR para outra.
Para podermos aplicar estes conceitos na prática,
precisaremos especificar os DPS tipo I, II e III, tema de nosso próximo artigo.
- ZPR (Zona de Proteção contra Raios);
- ZPRs fundamentam a divisão de DPS entre tipo I, II e
III;
- Por atuar entre as ZPRoB e ZPRI, os DPS tipo I são
chamados de descarregadores de corrente de raios, enquanto os DPS tipo II e III
são considerados protetores contra sobretensões.
Zonas de Proteção contra Raios
Características
ZPR0A
Zona externa a edificação. Local passível de ser
atingido por uma descarga atmosférica direta. Não existe nenhuma blindagem
contra interferências causadas por pulsos eletromagnéticos criados por
descargas atmosféricas.
ZPR0B
Zona sobre a influencia de um SPDA externo, mas ainda
sem a proteção de uma blindagem.
Transição ZPR0B –
ZPR1. DPS Tipo I
ZPR1
Zona interna à edificação. A energia das descargas
atmosféricas são relativamente baixas.
Transição ZPR1 –
ZPR2. DPS Tipo II
ZPR2
Zona interna à edificação. Somente podem aparecer
pequenos surtos.
Transição ZPR2 –
ZPR3. DPS Tipo II
ZPR3
Zona interna à edificação. (Ou o interior de um armário
metálico). Nenhuma corrente induzida em seu interior (Causada por uma
descarga) ou existência de surtos de tensão.
Figura 1 – Zonas de Proteção contra Raios (ZPR)
Fonte: Cortesia OBO Bettermann do Brasil Ltda.
Figura 2 – Zonas de Proteção contra Raios (ZPR)
Fonte: Cortesia OBO Bettermann do Brasil Ltda.
*Sergio Roberto Santos é engenheiro eletricista
especializado na proteção de equipamentos e sistemas eletrônicos e conselheiro
da Associação Brasileira de Conscientização para os perigos da eletricidade
(Abracopel).